terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sereia




Era doce, desses que não dão diabetes. Bailava ao andar. Fazia do vento seu item coringa pra seduzir quem passava. O vento jogava os cabelos cacheados, que mais pareciam as ondas do mar, brisa. E nesse mar eu só queria remar e amar. Pintava pra ela uma aquarela, enquanto pintava ela pra mim meu céu. Entre átrios e ventrículos, roubava meu ar. Suave, pequenina, rostinho de menina. Pensei me declarar, não seria pedofilia.   Entre flores e amores, faltava em mim a coragem, de falar, declarar. Demorei. Demorei. Demorei até que ela encontrasse um par. E assim, tão quieta, fugiu. Logo ela, logo ela, que não sabe ainda se queria amar, ser poeta, ou andar de bicicleta.



terça-feira, 6 de março de 2012

Maremoto

Eu lia que a a alegria fingia;
Camuflava, mentia a dor que se escondia.
Ria todo dia.
Esquecia a agonia, escondia a euforia.
O que faria se não me enganaria?
Choraria, ou rimaria...

sábado, 19 de novembro de 2011

Libertinagem

Costumava ler histórias de amor e me apaixonar
Costumava pensar em morte e arrepiar
Costumava chorar ao sentir dor
Até que descobri a dor do amor

Costumava agir sem pensar
Mas pensar em agir já não é agir?
Costumava sempre me indagar
Até que um dia indagaram-me por mim

Costumava tentar me esconder
Costumava beijar quando tinha que morder
Até que me perdi ao me encontrar
E agora mordo sem querer

Costumava ver o mundo colorido, e o apagar
Costumava ouvir alto e só cantarolar
Me ofendia quando olhava-os comentar
E agora, me desculpe, ofendo ao falar


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Express yourself

Liberdade e uma coisa estranha que só é lembrada quando está ausente...
É olhar pra noite e se imaginar lá dentro, sem medo, sozinho. E é olhar pra praia,
lotada, com medo de que roubem a sua. Liberdade.
Correr em pastos verdejantes na compania do invisível e se tornar o dono do mundo,
ou o filho dele.
Correr das trevas, que para nós é qualquer lugar onde não há privacidade, onde não
podemos ser nós mesmos.
No fim, o tesouro da liberdade acaba sendo um pouco fruto do nosso egoísmo.
Não por querer, essencialmente. É que misturamos liberdade com individualidade.
Ser livre não é ser sozinho e ter tudo que quiser. Seu edifício inteiro pode ser algo ou alguém...
Proteja seu edifício, mas não o impeça de ser livre também. Eis o cruel da liberdade. Você não é o único com direito à ela.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Indescritível

Na liberdade das palavras encontrar a privação do consciente.
Não saber se expressar com palavras faladas é não poder fazê-lo.
Quem entenderia? Quem precisa entender não pode.
Feliz seríamos, mas só. Só. Solitários.
Por medo de arriscar, os eus líricos são limitados, limitados ao inevitável.
Mas queriamos mesmo ser sem fronteiras. Ai de nós! Não podemos simplesmente
mergulhar nas próprias experiências e querer que todos as compreendam.
Inocentemente agindo, não se prevê a indiscplicência de quem é informado.
Aliás, quase nunca se espera que nos analisem. Erro.
Indiferentemente agindo com nós mesmos, é imperceptível a compreensão alheia.
Areia de ampulheta. Não importa o que se passa, ou se é necessário esperar. Simplesmente
flui em seu limitadíssimo segundo. Cai como a mente, sonolenta, silenciosa, que só se descreve com sentimentos e palavras escritas, que não podem ser faladas, porque não são decifradas pela voz.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Cerebral Party


Suco de aspirina, injeção de anfetamina, morfina. Gasolina. Pra sustentar, limpar.
Tudo que há de confuso, paira, no ar.
Minha mente é uma neblina, mas nada de tão interessante, tudo é gás hilariante.

Rir. Melhor remédio. Cadê minha opinião? Se está aqui dentro ainda, mudou…mutante.
Só sei rir do meu passado. Veja você! Meu diário revirado, que tudo conta e omite aquilo que deve ser omitido, não mentido!
Depende de você. Quer saber? Pergunte. Talvez eu confie em você!
Responder? Não! Entre, dance, faça a minha festa em você. Afinal é isso que se passa aqui dentro.
Estroboscópios de diferentes intensidades. Mentiras, verdades. Busque o que quiser encontrar, e ao achar, ache também o caminho de volta. Sem revolta! Nem tudo tem volta…
Aceite, receba, perdoe. Eu aprendi a me amar. E no fim da festa, só se cansa e aproveita quem soube dançar.

sábado, 26 de março de 2011

Sonambulismo

Acorde pela manhã e lave seu rosto,
mas sem deixar descer pelo ralo seus sonhos.
Vista-se com entusiasmo, faça de suas roupas
escudo. Companhia.
Ao calçar seus sapatos sentado na beirada da cama,
aproveite para apanhar no chão seus desperdícios
que tanto o impediram de dormir na hora certa.
Alimente-se como quem busca energia para
mudar o mundo. Liberte-se do sono. Na verdade, o domestique.
Ao sair, receba o dia, faça chuva ou sol.
Saiba variar suas fontes de energia.
Continue trilhando seu caminho em busca da felicidade,
que travessa, anda a um passo atrás do nosso.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Trabalho escolar


Adultolândia, 10 de maio de 2011.

Querida e bem aproveitada adolescência,
venho por meio desta lhe dar um grande beijo e um abraço apertado. Um beijo pela vida, bem vivida e bem amada que tive ao seu lado. Um abraço pelos tempos que não voltam mais.
Nostalgia. Ah, sim, ela será constante em meu resto inteiro de vida. Quero despedir-me com um gosto tão agradável e lembrar-me de sua existência na forma de um perfume agradabilíssimo. Sinestesias à parte, é assim que quero me lembrar desta fase. Um turbilhão de sentimentos e sensações experimentados pela primeira vez e que serão inesquecíveis.
No mais, obrigado por existir, mestra adolescência. Como uma prova de fogo e processo seletivo, faz de nós humanos experimentos em fase de teste do tão querido e incompreensível ciclo da vida.
Despeço-me como um filho que deixa para trás sua própria casa em busca de desbravar um novo mundo, desconhecido. E que suas lições sejam bem aproveitadas por mim. Quem sabe por si não passará alguém tão parte de mim e ao mesmo tempo tão diferente? O futuro é incerto, mas que as novas gerações saibam usufruir do maravilhoso da vida.
Até mais, com um desencontro direto ou encontro indireto.
Ah, e um breve comentário: sou seu admirador explícito!
Adeus.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mudaram as estações


As vezes esqueço meu próprios costumes, tenho vergonha de dizer o que quero, o que penso, a quem mais tenho liberdade. Meus defeitos cada vez mais afloram, mas só aparecem no meu jardim.
Meu ego se acomodou em seu lar, doce lar e me deixou aqui, sem proteção contra mim mesmo.
Eu sou o pior de mim, sei a dor e a delícia de ser o que sou. Tenho me deliciado menos do que deveria, a dor me consome de mais.
Me mostre minhas qualidades e elas serão suas, só pra te agradar. Estou em uma fase que nada de mim me satisfaz. Lhe entrego meu eu, mas sem desistir de mim. Tente fazer dele sua felicidade instantânea sem trazer minha morte súbita. Metade de mim é amor, a outra... é tédio.
Traga-me de volta minha própria luz, sou vaga-lume que esqueceu como se brilha. Estou à procura do meu eu, que já encontrei mas nem todos conseguem ver. Ando em círculos e grito, grito alucinantemente como se a senha do meu cadeado se abrisse com ondas sonoras, mas o único cativo liberto é o som da minha voz.
Busco incessantemente a loucura que muitos ousam desfrutar, mas não é questão de coragem. Ela está na minha frente, sobre uma mesa alta e clara, o que nos divide é apenas uma camada de vidro fina e quebrável, mas não posso fazer nada, o meu soco se compara à uma leve brisa de inverno, fria e seca.

sábado, 7 de agosto de 2010

Você por aqui?


Quando se é jovem, há uma ganância em crescer e entrar em um mundo onde tudo é maravilhoso e sendo grande você pode tudo. Quando se cresce nos desiludimos e tudo que queremos é voltarmos a ser crianças.
Algumas vezes olho para o céu e ele está exatamente de acordo com o meu humor (ou será que é o contrário?). Quero ser mestre em entender o mundo, mas para isso tem que se experimentar de tudo, inclusive a morte. Pena que não poderei contar tudo quando eu descobrir, aliás não irei contar nada.
Surge um sentimento estranho quando vemos concretizar aquela velha e boa frase que diz: "Você vai entender um dia!". Eu não sei se eu queria entender ou ser um eterno, porém muito curioso, inocente.
E quando descobrimos, muitas vezes choramos, desabamos, nos surpreendemos. E então o que fazemos? Corremos para o nosso porto seguro,a coisa mais especial e importante que poderíamos receber, a nossa família.
Família, algo tão complexo e tão simples ao mesmo tempo. Querem nos proteger a qualquer custo e as vezes não conseguimos entender. Só queremos a coisa mais valiosa do mundo, a liberdade, mas esquecemos que sem eles não somos nada.
Nossa vida é passageira, nós somos passageiros, fazemos nossa parte e vamos embora.
Alguns mudam o mundo, alguns são anonimamente brilhantes mas todos são o mundo de alguém.
E sabe toda aquela ganância em crescer, toda decepção, todos os desejos impossíveis, tudo aquilo que não faz sentido? Você vai entender um dia!
Espero que quando chegue a hora certa, todos possamos ser mestres do mundo. E mesmo que perdendo seu mundo, você pode ser o de alguém. Todos somos importantes e buscamos a felicidade no mais inimaginável. Mas não se esqueça que você pode caminhar longas jornadas procurando a realização, e ela pode estar bem do seu lado. Carpe Diem.