quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Amargo da vida


Cheguei a tempo de vê-la partindo, e num simples segundo já não estava mais lá.
Que pena, não deu tempo de me despedir. Agora fica o frio vento da estação soprando em meu rosto.
O mesmo vento que te acompanha pela sua jornada, o vento que provavelmente te acompanhará até a sua nova escolha.
Na volta, desiludido, ouço o barulho dos carros passando e sinto na pele o leve toque de pequenas gotas de chuva, então coloco meu capuz. Olho pro alto, as nuvens parecem se mover rapidamente.
O sino da igreja toca, quinze minutos para as vinte e três horas.
De repente percebi que estava caminhando por uma rua deserta, meu pensamento tão longe.
Não me importaria se algo espreitasse à esquina, poderia levar tudo, naquele momento não me importaria se levasse minha vida também. Não faria diferença pra mim.
E como eu iria embora? Já era tarde, pagar um táxi. Talvez seria boa idéia.
Não conseguia pensar mais em nada. Talvez seria melhor refrescar a mente, tomar um espresso me ajudaria a manter minha força. Também precisava me aquecer.
Um café ainda estava aberto, entrei. Uma mesa no canto vazia, perto da janela, ninguém iria me incomodar ali, perfeito.
Pedi um café. Havia um jornal ali, provavelmente alguém havia o esquecido. O abri como quem não quer nada. Me interessei por um texto de um colunista. Li. Meu café chegou. Continuei lendo.
De repente, uma mão abaixa meu jornal interrompendo a minha leitura.
Um frio me desce pelas costas, um latejo em minhas têmporas. Logo ela, que havia tanto tempo eu deixara sozinha. Um ato tão canalha e egoísta. Ela que me amava, ali, na minha frente.
Seus olhos cinzas cobertos de lágrimas, sua mão gelada tocou meu rosto enxugando as minhas lágrimas. Será mesmo que o tempo havia feito ela esquecer de tudo? O amor ainda era a parte maior de mim que ainda preenchia seu coração?
Eu não tive reação. Seus braços me envolveram em um abraço.Um beijo molhado, de lágrimas provavelmente, tocou meu pescoço.
Não, eu não merecia seu perdão.
E tão de repente, seus lábios tocaram os meus. Ela, que um dia eu tanto amei e mesmo assim deixei para trás egoística e gananciosamente, ainda me amava e estava ali diante de mim, me beijando.
Percebi então que não adianta correr atrás da pessoa errada.
A vida trás quem você merece, quem te ama de verdade. Os erros, é com eles que aprendemos. Por mais que nos machuquem nos trazem experiência para um dia podermos sentir o gosto da felicidade.

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