terça-feira, 30 de novembro de 2010

Trabalho escolar


Adultolândia, 10 de maio de 2011.

Querida e bem aproveitada adolescência,
venho por meio desta lhe dar um grande beijo e um abraço apertado. Um beijo pela vida, bem vivida e bem amada que tive ao seu lado. Um abraço pelos tempos que não voltam mais.
Nostalgia. Ah, sim, ela será constante em meu resto inteiro de vida. Quero despedir-me com um gosto tão agradável e lembrar-me de sua existência na forma de um perfume agradabilíssimo. Sinestesias à parte, é assim que quero me lembrar desta fase. Um turbilhão de sentimentos e sensações experimentados pela primeira vez e que serão inesquecíveis.
No mais, obrigado por existir, mestra adolescência. Como uma prova de fogo e processo seletivo, faz de nós humanos experimentos em fase de teste do tão querido e incompreensível ciclo da vida.
Despeço-me como um filho que deixa para trás sua própria casa em busca de desbravar um novo mundo, desconhecido. E que suas lições sejam bem aproveitadas por mim. Quem sabe por si não passará alguém tão parte de mim e ao mesmo tempo tão diferente? O futuro é incerto, mas que as novas gerações saibam usufruir do maravilhoso da vida.
Até mais, com um desencontro direto ou encontro indireto.
Ah, e um breve comentário: sou seu admirador explícito!
Adeus.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mudaram as estações


As vezes esqueço meu próprios costumes, tenho vergonha de dizer o que quero, o que penso, a quem mais tenho liberdade. Meus defeitos cada vez mais afloram, mas só aparecem no meu jardim.
Meu ego se acomodou em seu lar, doce lar e me deixou aqui, sem proteção contra mim mesmo.
Eu sou o pior de mim, sei a dor e a delícia de ser o que sou. Tenho me deliciado menos do que deveria, a dor me consome de mais.
Me mostre minhas qualidades e elas serão suas, só pra te agradar. Estou em uma fase que nada de mim me satisfaz. Lhe entrego meu eu, mas sem desistir de mim. Tente fazer dele sua felicidade instantânea sem trazer minha morte súbita. Metade de mim é amor, a outra... é tédio.
Traga-me de volta minha própria luz, sou vaga-lume que esqueceu como se brilha. Estou à procura do meu eu, que já encontrei mas nem todos conseguem ver. Ando em círculos e grito, grito alucinantemente como se a senha do meu cadeado se abrisse com ondas sonoras, mas o único cativo liberto é o som da minha voz.
Busco incessantemente a loucura que muitos ousam desfrutar, mas não é questão de coragem. Ela está na minha frente, sobre uma mesa alta e clara, o que nos divide é apenas uma camada de vidro fina e quebrável, mas não posso fazer nada, o meu soco se compara à uma leve brisa de inverno, fria e seca.

sábado, 7 de agosto de 2010

Você por aqui?


Quando se é jovem, há uma ganância em crescer e entrar em um mundo onde tudo é maravilhoso e sendo grande você pode tudo. Quando se cresce nos desiludimos e tudo que queremos é voltarmos a ser crianças.
Algumas vezes olho para o céu e ele está exatamente de acordo com o meu humor (ou será que é o contrário?). Quero ser mestre em entender o mundo, mas para isso tem que se experimentar de tudo, inclusive a morte. Pena que não poderei contar tudo quando eu descobrir, aliás não irei contar nada.
Surge um sentimento estranho quando vemos concretizar aquela velha e boa frase que diz: "Você vai entender um dia!". Eu não sei se eu queria entender ou ser um eterno, porém muito curioso, inocente.
E quando descobrimos, muitas vezes choramos, desabamos, nos surpreendemos. E então o que fazemos? Corremos para o nosso porto seguro,a coisa mais especial e importante que poderíamos receber, a nossa família.
Família, algo tão complexo e tão simples ao mesmo tempo. Querem nos proteger a qualquer custo e as vezes não conseguimos entender. Só queremos a coisa mais valiosa do mundo, a liberdade, mas esquecemos que sem eles não somos nada.
Nossa vida é passageira, nós somos passageiros, fazemos nossa parte e vamos embora.
Alguns mudam o mundo, alguns são anonimamente brilhantes mas todos são o mundo de alguém.
E sabe toda aquela ganância em crescer, toda decepção, todos os desejos impossíveis, tudo aquilo que não faz sentido? Você vai entender um dia!
Espero que quando chegue a hora certa, todos possamos ser mestres do mundo. E mesmo que perdendo seu mundo, você pode ser o de alguém. Todos somos importantes e buscamos a felicidade no mais inimaginável. Mas não se esqueça que você pode caminhar longas jornadas procurando a realização, e ela pode estar bem do seu lado. Carpe Diem.


quarta-feira, 31 de março de 2010

Depois do além


E se eu fizer das últimas, minhas primeiras opções?
E se eu quiser falar de demônios juntamente de anjos?
E se viver for mais que só seguir normas?
E qual é a reação da raça para com os anormais?
E se eu fizer de uma linha reta, pontilhados pra eu caminhar?
E se não existir nada no fim? Simplesmente acabar. Nulo, vago, inexistente, infinito.
Quem definiu normalidade não viveu tudo que a vida proporciona, oferece.
E entre secos e molhados eu apenas vivo, descubro, sobrevivo.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Exceto


E então os conflitos se acalmam, mas deixam de ser conflitos e se tornam problemas.
É, será mesmo que toda rotina tem a sua dificuldade? Nunca estaremos em paz constante?
E quando a resposta é mais confusa do que a pergunta, os nervos se afloram.
Você deseja então, nunca ter perguntado. Talvez seria melhor assim.
E as vontades? Por quê são proibidas já que você não as escolhe?
Um manual por favor, imploro.
O que é certo e o que é errado eu não sei. Aliás, sei mas não entendo.
É difícil controlar algo indomável. Eu diria ser impossível até.
Escolha feita inconsciente, com a razão tapada pelo coração.
Seria pecado amar? O que não pode ser sentido na pele, não deveria existir.
Mas pra toda regra há uma excessão, pra dar graça ou até mesmo tirá-la do jogo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Queda livre no vácuo


E então, oportunidade perdida, pé na ferida, desenfreada vida
Vida que vai trilhando seu caminho sem olhar quem fica
E afinal quem vai? Quem é capaz de acompanhar o ritmo da agitada vida?
Não é para os fracos a herança, nem pros trapaceiros. Talvez para os humildes de coração.
Quero um exoesqueleto, meus sentimentos não ficam dentro de mim, não se acomodam, se expandem. Quem sabe assim não se conteriam?
E em se comparando com a vida animal, queria ser um peixe.
E quando me cansasse das turbulências, simplesmente me deixaria levar, livre, pelo imenso oceano.
Se a vida é feita de encontros e desencontros, de doar e receber, me contentaria em encontrar um cardume, ou até mesmo servir de alimento para um peixe maior faminto.
É o ciclo da vida, o grande ciclo da vida.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Did It Again


As vezes a vida nos surpreende muito. Sei lá, com acontecimentos, com descobertas ou até mesmo tirando o que tapa nossos olhos.
Quando isso acontece, vem um impacto forte que nos tira a reação. Como assim, como isso pôde acontecer?
Aí o jeito é deixar passar o tempo pra ver no que dá.
Ou você se contenta, ou você procura enchergar de outro ângulo.
Ah, me esqueci, tem mais uma alternativa: Você pode correr atrás e verificar. É, verdade!
O que pode ter desmoronado sua alto estima as vezes pode ter sido só mesmo uma ilusão de óptica.
Cada vez mais venho descobrindo que a paciência é uma das maiores (se não é a maior) virtude.
Deve ter alcançado esse título por exigir tanto de nós.
Como é difícil aturar certas situações de boca fechada, ter vontades reprimidas, alegrias privadas.
Mas ao menos, no fim você acaba descobrindo que teve uma vitória inesperada.
A essência é esta!
Sofrer para aprender. Tem sido assim desde os primórdios e acho que nunca vai acabar.
Mas sabe, a gente consegue viver com esses curtos momentos de felicidade. Curtos mas que servem como recarga de energia instantâneos.
Recarga suficiente pra você passar por tudo de novo.