terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mudaram as estações


As vezes esqueço meu próprios costumes, tenho vergonha de dizer o que quero, o que penso, a quem mais tenho liberdade. Meus defeitos cada vez mais afloram, mas só aparecem no meu jardim.
Meu ego se acomodou em seu lar, doce lar e me deixou aqui, sem proteção contra mim mesmo.
Eu sou o pior de mim, sei a dor e a delícia de ser o que sou. Tenho me deliciado menos do que deveria, a dor me consome de mais.
Me mostre minhas qualidades e elas serão suas, só pra te agradar. Estou em uma fase que nada de mim me satisfaz. Lhe entrego meu eu, mas sem desistir de mim. Tente fazer dele sua felicidade instantânea sem trazer minha morte súbita. Metade de mim é amor, a outra... é tédio.
Traga-me de volta minha própria luz, sou vaga-lume que esqueceu como se brilha. Estou à procura do meu eu, que já encontrei mas nem todos conseguem ver. Ando em círculos e grito, grito alucinantemente como se a senha do meu cadeado se abrisse com ondas sonoras, mas o único cativo liberto é o som da minha voz.
Busco incessantemente a loucura que muitos ousam desfrutar, mas não é questão de coragem. Ela está na minha frente, sobre uma mesa alta e clara, o que nos divide é apenas uma camada de vidro fina e quebrável, mas não posso fazer nada, o meu soco se compara à uma leve brisa de inverno, fria e seca.

6 comentários:

  1. Parece que estava me vendo nesse texto!

    ResponderExcluir
  2. Excelente texto, aliás, me achei e me perdi varias vezes, muito bom, parabéns (:

    http://nostalgia-withoutthem.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  3. Se ninguém se perdesse as vezes, a vida seria um saco!! É bom se encontrar depois!
    Até

    ResponderExcluir
  4. texto lindooo
    parabéns
    sensível e terno
    amei
    depois passa lá no meu
    www.socloserbaby.blogspot.com

    ResponderExcluir
  5. Oi Thallys, sobre o que é o seu blog?
    Super intimista seu texto...
    Bjs
    http://jornalistadeferias.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Acho que li esse texto no momento certo. É exatamente como tenho me sentido nesses últimos dias. Já não me suporto.

    "Meu ego se acomodou em seu lar, doce lar e me deixou aqui, sem proteção contra mim mesmo.
    Eu sou o pior de mim, sei a dor e a delícia de ser o que sou. Tenho me deliciado menos do que deveria, a dor me consome de mais.
    Me mostre minhas qualidades e elas serão suas, só pra te agradar. Estou em uma fase que nada de mim me satisfaz. Lhe entrego meu eu, mas sem desistir de mim. Tente fazer dele sua felicidade instantânea sem trazer minha morte súbita. Metade de mim é amor, a outra... é tédio.
    Traga-me de volta minha própria luz, sou vaga-lume que esqueceu como se brilha."

    Seu texto ficou ótimo, amei.

    ResponderExcluir