terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mudaram as estações


As vezes esqueço meu próprios costumes, tenho vergonha de dizer o que quero, o que penso, a quem mais tenho liberdade. Meus defeitos cada vez mais afloram, mas só aparecem no meu jardim.
Meu ego se acomodou em seu lar, doce lar e me deixou aqui, sem proteção contra mim mesmo.
Eu sou o pior de mim, sei a dor e a delícia de ser o que sou. Tenho me deliciado menos do que deveria, a dor me consome de mais.
Me mostre minhas qualidades e elas serão suas, só pra te agradar. Estou em uma fase que nada de mim me satisfaz. Lhe entrego meu eu, mas sem desistir de mim. Tente fazer dele sua felicidade instantânea sem trazer minha morte súbita. Metade de mim é amor, a outra... é tédio.
Traga-me de volta minha própria luz, sou vaga-lume que esqueceu como se brilha. Estou à procura do meu eu, que já encontrei mas nem todos conseguem ver. Ando em círculos e grito, grito alucinantemente como se a senha do meu cadeado se abrisse com ondas sonoras, mas o único cativo liberto é o som da minha voz.
Busco incessantemente a loucura que muitos ousam desfrutar, mas não é questão de coragem. Ela está na minha frente, sobre uma mesa alta e clara, o que nos divide é apenas uma camada de vidro fina e quebrável, mas não posso fazer nada, o meu soco se compara à uma leve brisa de inverno, fria e seca.

sábado, 7 de agosto de 2010

Você por aqui?


Quando se é jovem, há uma ganância em crescer e entrar em um mundo onde tudo é maravilhoso e sendo grande você pode tudo. Quando se cresce nos desiludimos e tudo que queremos é voltarmos a ser crianças.
Algumas vezes olho para o céu e ele está exatamente de acordo com o meu humor (ou será que é o contrário?). Quero ser mestre em entender o mundo, mas para isso tem que se experimentar de tudo, inclusive a morte. Pena que não poderei contar tudo quando eu descobrir, aliás não irei contar nada.
Surge um sentimento estranho quando vemos concretizar aquela velha e boa frase que diz: "Você vai entender um dia!". Eu não sei se eu queria entender ou ser um eterno, porém muito curioso, inocente.
E quando descobrimos, muitas vezes choramos, desabamos, nos surpreendemos. E então o que fazemos? Corremos para o nosso porto seguro,a coisa mais especial e importante que poderíamos receber, a nossa família.
Família, algo tão complexo e tão simples ao mesmo tempo. Querem nos proteger a qualquer custo e as vezes não conseguimos entender. Só queremos a coisa mais valiosa do mundo, a liberdade, mas esquecemos que sem eles não somos nada.
Nossa vida é passageira, nós somos passageiros, fazemos nossa parte e vamos embora.
Alguns mudam o mundo, alguns são anonimamente brilhantes mas todos são o mundo de alguém.
E sabe toda aquela ganância em crescer, toda decepção, todos os desejos impossíveis, tudo aquilo que não faz sentido? Você vai entender um dia!
Espero que quando chegue a hora certa, todos possamos ser mestres do mundo. E mesmo que perdendo seu mundo, você pode ser o de alguém. Todos somos importantes e buscamos a felicidade no mais inimaginável. Mas não se esqueça que você pode caminhar longas jornadas procurando a realização, e ela pode estar bem do seu lado. Carpe Diem.