sábado, 19 de novembro de 2011

Libertinagem

Costumava ler histórias de amor e me apaixonar
Costumava pensar em morte e arrepiar
Costumava chorar ao sentir dor
Até que descobri a dor do amor

Costumava agir sem pensar
Mas pensar em agir já não é agir?
Costumava sempre me indagar
Até que um dia indagaram-me por mim

Costumava tentar me esconder
Costumava beijar quando tinha que morder
Até que me perdi ao me encontrar
E agora mordo sem querer

Costumava ver o mundo colorido, e o apagar
Costumava ouvir alto e só cantarolar
Me ofendia quando olhava-os comentar
E agora, me desculpe, ofendo ao falar


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Express yourself

Liberdade e uma coisa estranha que só é lembrada quando está ausente...
É olhar pra noite e se imaginar lá dentro, sem medo, sozinho. E é olhar pra praia,
lotada, com medo de que roubem a sua. Liberdade.
Correr em pastos verdejantes na compania do invisível e se tornar o dono do mundo,
ou o filho dele.
Correr das trevas, que para nós é qualquer lugar onde não há privacidade, onde não
podemos ser nós mesmos.
No fim, o tesouro da liberdade acaba sendo um pouco fruto do nosso egoísmo.
Não por querer, essencialmente. É que misturamos liberdade com individualidade.
Ser livre não é ser sozinho e ter tudo que quiser. Seu edifício inteiro pode ser algo ou alguém...
Proteja seu edifício, mas não o impeça de ser livre também. Eis o cruel da liberdade. Você não é o único com direito à ela.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Indescritível

Na liberdade das palavras encontrar a privação do consciente.
Não saber se expressar com palavras faladas é não poder fazê-lo.
Quem entenderia? Quem precisa entender não pode.
Feliz seríamos, mas só. Só. Solitários.
Por medo de arriscar, os eus líricos são limitados, limitados ao inevitável.
Mas queriamos mesmo ser sem fronteiras. Ai de nós! Não podemos simplesmente
mergulhar nas próprias experiências e querer que todos as compreendam.
Inocentemente agindo, não se prevê a indiscplicência de quem é informado.
Aliás, quase nunca se espera que nos analisem. Erro.
Indiferentemente agindo com nós mesmos, é imperceptível a compreensão alheia.
Areia de ampulheta. Não importa o que se passa, ou se é necessário esperar. Simplesmente
flui em seu limitadíssimo segundo. Cai como a mente, sonolenta, silenciosa, que só se descreve com sentimentos e palavras escritas, que não podem ser faladas, porque não são decifradas pela voz.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Cerebral Party


Suco de aspirina, injeção de anfetamina, morfina. Gasolina. Pra sustentar, limpar.
Tudo que há de confuso, paira, no ar.
Minha mente é uma neblina, mas nada de tão interessante, tudo é gás hilariante.

Rir. Melhor remédio. Cadê minha opinião? Se está aqui dentro ainda, mudou…mutante.
Só sei rir do meu passado. Veja você! Meu diário revirado, que tudo conta e omite aquilo que deve ser omitido, não mentido!
Depende de você. Quer saber? Pergunte. Talvez eu confie em você!
Responder? Não! Entre, dance, faça a minha festa em você. Afinal é isso que se passa aqui dentro.
Estroboscópios de diferentes intensidades. Mentiras, verdades. Busque o que quiser encontrar, e ao achar, ache também o caminho de volta. Sem revolta! Nem tudo tem volta…
Aceite, receba, perdoe. Eu aprendi a me amar. E no fim da festa, só se cansa e aproveita quem soube dançar.

sábado, 26 de março de 2011

Sonambulismo

Acorde pela manhã e lave seu rosto,
mas sem deixar descer pelo ralo seus sonhos.
Vista-se com entusiasmo, faça de suas roupas
escudo. Companhia.
Ao calçar seus sapatos sentado na beirada da cama,
aproveite para apanhar no chão seus desperdícios
que tanto o impediram de dormir na hora certa.
Alimente-se como quem busca energia para
mudar o mundo. Liberte-se do sono. Na verdade, o domestique.
Ao sair, receba o dia, faça chuva ou sol.
Saiba variar suas fontes de energia.
Continue trilhando seu caminho em busca da felicidade,
que travessa, anda a um passo atrás do nosso.