terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sereia




Era doce, desses que não dão diabetes. Bailava ao andar. Fazia do vento seu item coringa pra seduzir quem passava. O vento jogava os cabelos cacheados, que mais pareciam as ondas do mar, brisa. E nesse mar eu só queria remar e amar. Pintava pra ela uma aquarela, enquanto pintava ela pra mim meu céu. Entre átrios e ventrículos, roubava meu ar. Suave, pequenina, rostinho de menina. Pensei me declarar, não seria pedofilia.   Entre flores e amores, faltava em mim a coragem, de falar, declarar. Demorei. Demorei. Demorei até que ela encontrasse um par. E assim, tão quieta, fugiu. Logo ela, logo ela, que não sabe ainda se queria amar, ser poeta, ou andar de bicicleta.